Contest não é um jogo de trapaça

22:09 Fernando Luiz de Souza 0 Comments


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Contest (não importa a modalidade) como qualquer outra competição, tem regras que devem ser seguidas. Por exemplo, a diferença entre contest via rádio e um jogo de baralho, é que os jogadores estão separados e sozinhos. Então, não há ninguém para ver se ele está puxando cartas da manga e levando vantagem sobre os demais.
A comunidade radioamadorística se desenvolveu sobre fortes pilares de lealdade, disciplina e honestidade que tornavam nossa comunidade sui generis. Uma comunidade na qual o respeito e confiança mútua permitia que nós jogássemos baralho à distância sem duvidar da honestidade dos demais jogadores.
Um ambiente deste tipo é fértil para oportunistas. Então, são cada vez mais frequentes as queixas sobre alguém que vendeu e não entregou, comprou e não pagou, foi enganado aqui e acolá.
Lamentavelmente, o DXismo e Contest não estão imunes ao oportunistas. Pessoas que acham que podem violar as regras porque não tem ninguém olhando. Vejam o caso dos 'grongas' – para quem não sabe, aqui no Brasil havia (ainda há, não sei) um consórcio com estações do leste europeu para trabalhar figurinhas difíceis uns para os outros. Esta prática foi IDENTIFICADA, os praticantes ADVERTIDOS, e ainda hoje isso ocorre e quem está no rádio todos os dias sabe disso. Alguns deixam de lado, pois assumem que o valor daquele papel na parede (DXCC Award) tem valores diferentes. Cada um, e somente ele, sabe como foi conquistado.
Mas o DXCC Award é um “jogo de soma não-zero”. O DXista que conquista um DXCC não tira a oportunidade de outro DXista em conseguir o mesmo feito. Contest é diferente.
Na seara dos Contests, para alguém ganhar, alguém precisa perder. Isso chama-se “jogo de soma zero”. O forte crescimento que esta modalidade experimentou nos últimos anos, também atraiu os oportunidades de platão.
Estes oportunistas em contest são de dois tipos basicamente: Trapaceiros e Mão-bobas. A comunidade internacional chama os trapaceiros de 'cheaters' (Cheat significa trapaça, logo, cheater quer dizer trapaceiro), ou seja, em bom português 'trapaceiros'. Felizmente, os trapaceiros formam uma minúscula minoria do total de competidores.
Diferença entre um Trapaceiro e Mão-boba:
Trapaceiro é o competidor que deliberadamente e conscientemente usa artifícios com o objetivo de ganhar. Geralmente, os trapaceiros estão concentrados nas primeiras posições do resultado. Eles literalmente tiram a oportunidade de quem está jogando limpo de conquistar algo honroso.
Mão-boba é um conceito que eu criei estudando 'Teoria dos Jogos'. Os mão-bobas estão em todos os lugares do resultado do contest. Eles desafiam a capacidade dos organizadores identificá-los e puni-los nos contests. O mão-boba leva pequenas vantagens durante a competição dando uma olhadela no DXCluster quando estão na categoria Não-Assistido. Ele usa 200-300Watts e declara-se como Low Power. Como os recursos investigativos para identificar cada mão-boba seriam enormes, os organizadores de contest acabam deixam passar, afinal, os mão-bobas geralmente não fazem impacto significativo no resultado geral, pois raramente entram no top 10. Contudo, localmente (competições dentro de cada país) eles atrapalham bastante.
O CQWW e CQWPX já punem os trapaceiros com cartões amarelos ou vermelhos. E estão cada vez de olho nos mão-boba porque todo trapaceiro foi um mão-boba um dia.
Atualmente, os mão-bobas que usam alguma assistência externa e não se declaram ASSISTIDOS, são identificados por método estatístico muito confiável. Esse método foi criado pelo CT1BOH e é usado pelo CQWW e CQWPX. O mão-boda então é confrontado com a informação de que ele teria cometido um erro ao declarar-se não-assistido. Ele tem a oportunidade de mudar para a categoria correta. Quem se recusa a admitir que usou ajuda externa e/ou não responde ao 'convite' do comitê do contest, permanecem na categoria errada, levando vantagem. Infelizmente, essa lista dos que não admitiram o ‘erro’ não é divulgada, somente a listas dos mão-boba que admitiram o ‘erro’ que é publicada. Criando dessa forma uma impressão de que o problema é muito menor do que realmente é.
O próximo passo, e mais difícil de todos, é identificar quem está com potência acima do permitido.
Um projeto que já está sendo usado é gravar todo o espectro das bandas durante os grandes contests usando SDRs localizados em várias partes do mundo. Então, os organizadores poderão fazer testes comparativos de sinal para determinar abuso de potência. OS SDR podem gravar a banda inteira. Depois, com o arquivo digital, pode-se literalmente voltar no tempo, até o momento do contest e sintonizar em qualquer frequência para comparar sinais.
No mundo ideal que todos nós gostaríamos que existisse, haveria somente pessoas perfeitas, situações harmoniosas e puras. Essa visão paradisíaca é utópica, pois vivemos em um mundo real, com pessoas reais, que acertam, erram, jogam, mentem e trapaceiam. Portanto, como uma forma de autopreservação, nossa comunidade que se desenvolveu sobre nobres sentimentos de confiança mútua, está mudando para não ser explorada por oportunistas.

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